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28/07/2010 - POIS É, AGORA “BISPO!!!”

Não dá para esconder ou passar sob silêncio. Depois de uma notícia dessas, quer dizer que o Santo Padre o Papa Bento XVI escolheu e nomeou o nosso Mons. Sebastião, Sacerdote do nosso Presbitério, Bispo da Diocese de Viana, o pensamento continua sempre batendo na mesma tecla e a notícia e a alegria voltam continuamente a ocupar a cabeça. Também porque a todo passo, as pessoas perguntam, querem saber mais e se alegram pela feliz escolha do Santo Padre.

 

O Maranhão foi agraciado, nestes meses passados, com outros dois Bispos para ocupar duas Dioceses: Dom Vilsom para servir à Diocese de Caxias e Dom Valdeci para servir à Diocese de Brejo. Três nomeações bem vindas para o nosso Maranhão.

 

Nesta ocasião volta a pergunta: “Quem é o Bispo?” “O que quer dizer ser Bispo?” “Quais as tarefas, os deveres o poder do Bispo na sua Diocese?”.

 

Pois é! Ser nomeado Bispo não é subir mais um degrau na “carreira” sacerdotal ou, pior, na Hierarquia eclesial. Ser Bispo é ser escolhido pelo Espírito Santo através do Santo Padre para servir ao povo de Deus. Por isso o Bispo é o sucessor dos Apóstolos. Levada a sério, esta afirmação, que é sacrossanta, faz desaparecer a fisionomia, a idade, o jeito da pessoa e fica a verdade: o Bispo é um escolhido por Deus para ser a continuação dos homens, pescadores na maioria, que ele escolheu à beira do lago da Galiléia e nas andanças dele pelas estradas poeirentas da Palestina como amigos e confidentes: a eles Jesus confiava segredos e desabafava nos momentos tristes, ensinava e repreendia, exigia comportamentos e louvava, os enviava a pregar a todo mundo e falar de um Reino que não era deste mundo, com valores e princípios novos e até revolucionários. A todos prometia luta, sofrimento, austeridade, pobreza junto com alegrias e felicidades sem limites.

 

Sucessor dos Apóstolos! Desta vez não numa grande cidade e sim num canto da imensa Amazônia legal, num lugar e numa região por muitos brasileiros desconhecida. Um sucessor dos Apóstolos enviado a pessoas simples, pobres, à margem, muitas vezes, da grande sociedade; enviado a pessoas dignas da dignidade de filhos e filhas de Deus. Eles precisam de um sucessor dos Apóstolos que os garanta na fé e os confirme nesta mesma fé, como Jesus Cristo fez com Pedro; que os faça crescer na consciência de pertencer ao povo eleito; um sucessor dos Apóstolos que faça sentir e perceber materialmente que Jesus os ama como amou os doze e que está disposto a morrer todos os dias na Eucaristia para a salvação de todos: “ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos”.

 

Pois é, agora Bispo! O que quer dizer ser Bispo? Na minha mente passam algumas palavras e cenas do Evangelho: “Eu não vim para ser servido, mas para servir”. “Se eu, mestre e senhor, lavei os pés de vocês... vocês também devem lavar os pés uns dos outros... Pois eu deu o exemplo pra que vocês também façam a mesma coisa que eu fiz, lavar os pés uns dos outros”. Terminando a parábola do Bom Samaritano, Jesus diz: “Vai e faze a mesma coisa” (Lc 10,37). Pregado na cruz, Jesus exclama: “Tudo é consumado”. Na celebração da Ceia, que é a nossa Eucaristia, Jesus diz: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós” e também diz: “Este é o cálice do meu sangue... que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados...”. Todo mundo entende que é um serviço pesado, um jugo não fácil de ser levado. Mas há outras palavras de Jesus que consolam: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,28-30). É ele que dá a força.

 

Pois é, agora Bispo! E quais as tarefas, além de ser servidor? A Igreja, que deve ser a grande servidora da humanidade, indica que o Bispo deve:

- em primeiro lugar ENSINAR (a Igreja chama: múnus docendi). Hoje esta é tarefa particularmente importante, pois vivemos em uma grande confusão sobre as escolhas fundamentais da nossa vida. As interrogações sobre o que é o mundo, de onde ele vem, para onde nós vamos, o que temos de fazer para realizar o bem, como devemos viver, quais são os valores realmente verdadeiros, estão na boca de todos e o Bispo é aquele que, com os seus sacerdotes, deve ensinar, esclarecer, iluminar do mesmo jeito como fazia Jesus e os Apóstolos depois dele. Existem muitas filosofias opostas: elas nascem e desaparecem, criando uma confusão sobre as decisões fundamentais. Nesta situação, realiza-se a palavra do Senhor, que “teve compaixão da multidão porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). O Bispo não ensina idéias próprias, uma filosofia que ele mesmo inventou; o Bispo não fala a partir de si mesmo para criar admiradores ou um partido próprio, mas ele ensina em nome de Cristo. O Bispo anuncia a Palavra de Cristo, a fé da Igreja e não suas próprias idéias. Ele baseia o seu ensinamento sobre a Sagrada Escritura, os escritos dos Padres e dos Doutores da Igreja, o Catecismo da Igreja Católica, obedecendo ao mandamento de Cristo: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai a Boa Nova a toda a criação (Mt 16,15).

- depois, o Bispo deve SANTIFICAR (a Igreja chama: múnus sanctificandi). Penso no dever difícil, mas também muito gratificante, de transmitir a todo homem a graça dos Sacramentos. Em outras palavras, a missão de santificar é a de ser portador da amizade de Deus para os homens e, com isso, a salvação que é a grande riqueza que Jesus mereceu, ganhou e alcançou para todos morrendo na Cruz. Quem se faz de ponte entre a riqueza da cruz e os homens que dela precisam é, hoje, a Igreja e, na Igreja particular ou Diocese, o grande santificador é o Bispo com os seus sacerdotes. Toma valor e beleza, assim, a Concelebração anual, na Catedral, da Consagração dos Óleos e a distribuição deles aos Sacerdotes Párocos, que irão administrar os Sacramentos nas Paróquias durante o ano todo.

- por fim, o Bispo tem a tarefa de GOVERNAR (a Igreja chama: múnus regendi), dirigir, orientar; deve ser quase que um supervisor, um bom pai de família preocupado com o bom êxito da evangelização, porque só ela pode aproximar a humanidade a Deus e Deus à humanidade; porque só ela pode ser o alicerce forte e seguro de uma vida social respeitosa, justa e pacífica.

 

Santo Inácio de Antioquia escreve: “Convém, então, sermos cristãos não só de nome, mas de fato. Ora, há quem tenha o nome do bispo na boca, porém, tudo faz sem ele. Estes tais não me parecem possuir consciência reta, porque não se reúnem com lealdade, segundo o preceito” (Inácio de Antioquia, bispo e mártir: 2ª leitura do Ofício das Leituras do 16º Domingo do Tempo Comum).

 

Na solene Celebração da Ordenação do Bispo aparecem elementos muito significativos; a Bíblia aberta é colocada sobre a cabeça do Bispo; a ele são entregues a Cruz peitoral e o anel, símbolos de compromisso; a ele é confiado o cajado, símbolo do governo que ele deve exercer como servidor; e a mitra, símbolo do dever de ser santo e de santificar através da administração dos sacramentos nas Paróquias da Diocese a ele confiada.

 

Essas “coisas” não são enfeites e sim sinais de empenho para com Deus e para com o povo.

 

Toda oração para os Bispos é ato devido dos cristãos e é a melhor colaboração para o serviço ao povo de Deus.

 

+ Dom Carlo Ellena

Bispo de Zé Doca

Inserida por: Administrador fonte:  CNBB NE 5
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